sábado, 19 de março de 2011

Filosofias de supermercado

Lá estou no angeloni, torrando meu dinheirinho em chocolate, quando vem um cara (alto e magrelo, cabelos grisalhos escorridos, óculos de sol retrô) dizer que chocolate branco é mais saudável. Eu então digo que "tem mais gordura", e que "o cacau tem algo que faz bem pro coração, mas vai saber, a cada hora eles inventam uma coisa nova, então eu como o que gosto mesmo". Ao que ele responde: "É, são os mistérios da vida, a gente tem que saber captar o que interessa. Boa sorte.".

Psycho Killer.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Então, após um longo tempo sem postar devido à continuidade da minha inexpressão criativa, achei um discurso que vale a pena passar adiante. É a mesma coisa de sempre, mas é legal.

"We know the air is unfit to breathe and our food is unfit to eat, and we sit watching our TV's while some local newscaster tells us that today we had fifteen homicides and sixty-three violent crimes, as if that's the way it's supposed to be. We know things are bad - worse than bad. They're crazy. It's like everything everywhere is going crazy, so we don't go out anymore. We sit in the house, and slowly the world we are living in is getting smaller, and all we say is, 'Please, at least leave us alone in our living rooms. Let me have my toaster and my TV and my steel-belted radials and I won't say anything. Just leave us alone.' Well, I'm not gonna leave you alone. I want you to get mad! I don't want you to protest. I don't want you to riot. I don't know what to do about the depression and the inflation and the crime in the street. All I know is that first you've got to get mad.
You've got to say, 'I'm a HUMAN BEING, Goddamnit! My life has VALUE!'"

E aproveito pra passar alguns filmes, que é o que tem ocupado minhas férias ultimamente:
-Os homens que não amavam mulheres (cinema sueco, vale a pena)
-Edukators (mais um europeu, dessa vez alemão)
-Johnny e June (romancezinho à la hollywood com músicas legaizinhas)

Só pra não perder o costume...
"Só quem não se importa com a realidade pode se dar ao luxo de ser simplista" (C.S. Lewis - O Cristianismo puro e simples)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Hoje resolvi sair um pouco dessa vida de jogo e cozinhar. Aí como não tinha todos os ingredientes, precisei deixar meu habitat natural e ir ver a civilização. Me senti uma dona de casa puxando conversa no mercado com uma mãe sobre cenouras e receitas de bolo.
Mas enfim, não lembrava como tinha coisas tão estranhas lá fora. Duas cenas me fizeram (chorar de) rir sozinha na rua:
a) Um cara, sentado no bar com duas mulheres, com MUITA pinta de nerd e MUITO feliz.
b) Um homem no mercado segurando uma embalagem de absorvente e tentando desesperadamente desvendá-la.

Ah, e já que revi o filme essa semana, vai um dos milhões de trechos legais de "O brilho eterno de uma mente sem lembranças".
PS: Clementine é a melhor personagem ever.
"Too many guys think I'm a concept, or I complete them, or I'm gonna make them alive. But I'm just a fucked-up girl who's lookin' for my own peace of mind; don't assign me yours."

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Só pra registrar
a) um pensamento que me ocorreu essa semana: por que a tecla power é aqui do lado e a do ss é lá na pqp? Sempre perco os melhores momentos por esse fato.


b) uma coisa legal que vi (se tiver preguiça pule para o segundo parágrafo que a ideia não se perde) :
"Well, I would say this: when you move down the road towards mastery of the martial arts—and you know, you are constantly moving down that road—you end up coming up against these barriers inside yourself that will attempt to stop you from continuing to pursue the mastery of the martial arts. And these barriers are such things as when you come up against your own limitations, when you come up against the limitations of your will, your ability, your natural ability, your courage, how you deal with success—and failure as well, for that matter. And as you overcome each one of these barriers, you end up learning something about yourself. And sometimes, the things you learn about yourself can, to the individual, seem to convey a certain spiritual sense along with them.

...It's funny, every time you come up against a true barrier to your progress, you are a child again. And it's a very interesting experience to be reduced, once again, to the level of knowing nothing about what you're doing. I think there's a lot of room for learning and growth when that happens—if you face it head on and don't choose to say, "Ah, screw that! I'm going to do something else!"

We reduce ourselves at a certain point in our lives to kind of solely pursuing things that we already know how to do. You know, because you don't want to have that experience of not knowing what you're doing and being an amateur again. And I think that's rather unfortunate. It's so much more interesting and usually illuminating to put yourself in a situation where you don't know what's going to happen, than to do something again that you already know essentially what the outcome will be within three or four points either way."
(Brandon Lee)

domingo, 17 de outubro de 2010

Vidas - parte I

O ar condensado escorria preguiçosamente pelo copo plástico enquanto o sol se punha mais uma vez. Ele deu outro longo gole e respirou fundo. Viu longas tranças ruivas passarem, deixando um ínfimo aroma de cereja que só alguém em sua condição poderia resgatar.

Durante sua passagem, os olhos rubros da menina percorreram a perfeita camisa pólo azul que contrastava com o resto do homem que a vestia, manchada com o suor que escorria pelo corpo inteiro, completando sua expressão vazia e ao mesmo tempo de completa exaustão que dava forma à pele envelhecida, e agora em chamas, de seu rosto.

Ele sabia que não era exatamente a roupa mais adequada, mas era tudo que restara de sua vida despreocupada. Estupidamente havia pensado que, voltando à velha rotina, resgataria seus velhos pensamentos. Mas agora a idéia de que o suor e o cansaço o ajudariam a sentir alguma coisa parecia extremamente absurda.

Não notou quando o vento passou por seus cabelos molhados e sujos sem mover um fio. Tampouco sentiu as bolhas que começavam a se formar em seus pés, ou a mão suja e inocente que tocava suas costas implorando por dinheiro. Não ouvia mais os carros passando apressados por seus ouvidos, ocupados atrás das banalidades humanas.

As lindas pernas partiram. E outras. Braços, barrigas. Todos vinham e não se demoravam a ir. Como não encontrasse solução para o que o havia levado ao estado medíocre em que se encontrava, roncou suavemente o canudo pelas últimas gotas do milk-shake, deixou o copo no banco e saiu, trôpego.

sábado, 22 de maio de 2010

Eu odeio a frase "seja você mesmo". É a coisa mais imbecil, repugnante e metida a filosofia "carpe diem" a ser dita sobre personalidade. Qual é o grande problema em contrdições? Todo ato meu faz parte de mim.

Se hoje eu digo que odeio maçãs e amanhã tenho uma overdose delas não quer dizer que eu menti, tampouco que isso não faz parte de quem eu sou. Eu apenas mudei de ideia, e isso não me torna menos eu. Se eu fiz algo dominada pela minha vontade é porque, naquele momento, aquela era eu; e eu não preciso ser ela para sempre.

Quando eu estava com vergonha de usar coturno porque "não combinava comigo" minha mãe me disse "Você pode ser várias". E é verdade, bem verdade. Ninguém pode determinar a minha personalidade, nem mesmo eu.

Talvez por isso eu sempre tenha tido dificuldade em me definir. Pessoas são feitas de momentos, não de palavras; personalidades não podem ser descritas de forma absoluta. E não, não me refiro a estereótipos, apesar de odiá-los também. Quero dizer, sim, que todo mundo se contradiz o tempo todo, mas isso não os torna falsos.

Tontos são aqueles que passam a vida inteira nos mesmos bares, com as mesmas pessoas, ouvindo as mesmas músicas, para que no fim possam sentir orgulho em ouvir "essa pessoa tinha personalidade".

"
What's in a name? that which we call a rose
By any other name would smell as sweet
" (Romeo and Juliet - act two, scene II)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Itálico

O nome foi um clique após um bom tempo olhando pixels, buscando os nomes mais improváveis na minha limitada imaginação e blasfemando donos de 'domínios' mortos.
Silly Zombies. Zumbis Bobos. Pessoas bobas; zumbis da mídia, da cópia. Acredito, sim, no potencial da minha geração - embora, ao mesmo tempo, veja nela uma inércia intelectual. Talvez essa mesma inércia seja a razão da minha propensão para citações. Elas estão lá, prontas e algumas vezes geniais. E ainda, acho interessante ver como cada pessoa interpreta um texto à sua maneira, e quais partes considera importante. Talvez por isso eu não odeie tanto as adaptações para cinema quanto a maioria das pessoas que apreciam estas artes.
A fim de evitar um pouco o desenvolvimento da minha preguiça/pobreza intelectual, vou tentar colocar alguns textos meus, ainda que provavelmente saiam incompletos.
Quanto às citações, talvez muitas delas só mostrem seu verdadeiro sentido dentro do contexto, mas se fizerem algum sentido para você, tanto melhor.

Pra começar bem, vai uma do Stephen King, do livro Os Olhos do Dragão, capítulo 25:
"A mente das pessoas, principalmente das crianças, é como um poço - um poço fundo cheio de água limpa. E às vezes, quando um pensamento é tão desagradável a ponto de tornar-se insuportável, a pessoa que teve o pensamento o tranca num baú bem reforçado e o joga no poço. Escuta a pancada na água... e está livre dele. Ou pensa que está. Na verdade não está. [...] todo poço, por mais profundo que seja, tem um fundo, e só porque uma coisa desapareceu de vista não quer dizer que tenha deixado de existir. Ela continua lá, pousada no fundo. E [...] os baús em que aqueles pensamentos maus e apavorantes estão encerrados podem um dia apodrecer, e a sujeira de dentro vazar e envenenar a água... e quando o poço da mente é sériamente envenenado, o resultado é o que chamamos de demência."